Gosto muito de ver o "America´s Next Top Model". Excepção feita a todos os momentos em que entra a Tyra - em pessoa, no júri ou no "Tyra Mail", porque a criatura é tão vaidosa e convencida que é boa que se torna parva e excessiva. E... qual a graça de meter a porra da foto dela em todos os cantos da casa das meninas, e no "tyra mail" e tudo e tudo?
Tyra à parte, acho o conceito do programa engraçado (distrai-me desde que deito o puto até eu própria adormecer, sem ter que pensar). Os desafios nem sempre são fáceis, e até passei a achar que a vida destas meninas até alcançarem a ribalta é uma porra muito suada. Na season que está a passar agora e que inclui uma rapariga (bonita, que até chateia!) que sofre do Síndrome de Asperger, uma variante do autismo que não inclui qualquer atraso ou deficiência mental. Aparentemente, é uma miúda como as outras, diferindo apenas na sua dificuldade em lidar com os outros. Ontem, foi eliminada. Deu-me pena. Tal como em milhentas outras áreas da vida, só vinga quem possuir aquela personalidade fun and loving. Quem não for assim naquele meio, não arranja trabalho. Tão simples como isso. No caso desta menina, apesar da figura esbelta e das belíssimas fotos que tirava, nunca chegaria ao primeiro lugar do concurso, porque o contacto social é-lhe extremamente penoso, e nem com uma justificação devidamente diagnosticada teria qualquer hipótese perante um cliente implacável, sem tempo a perder com pessoas especiais.
Estas meninas passam uma vida porreira neste programa, no sentido em que vivem numa casa linda, passeiam, viajam, encarnam diferentes personalidades e experimentam diferentes cenários para fotografar. Mas, mais do que a sua beleza, é a sua personalidade a mais avaliada, a mais duramente criticada. Por vezes, o júri não lhes poupa frontalidade em aspecto nenhum. Às vezes, saiem dali a chorar. E com razão. A verdade e a frontalidade por vezes magoa e não é pouco!