Desta vez, lixei-me para o preço. E não pensei duas vezes quando peguei no fato do Napoleão, que inclui polainas pretas, calças brancas, o casaquinho janota de franjinhas douradas e punhos vermelhos e, a terminar, o chapéu preto, imponente. Este ano, o meu filho vai ser o Capitão do navio de piratas lá da escola. Há-de ficar lindo nele. Por enquanto, só me deixou - a muito custo - vestir-lhe o casaquinho para experimentaro tamanho. Vamos ver para que lado lhe penderá a teimosia no dia do desfile. E, já agora, que não chova, para toda a gente ver que lindo que está o meu filho!
09 February 2010
Não tenho emenda. Se se pode dormir, dorme-se, aonde calhar: na sauna, no banho turco... no tapete dos abdominais enquanto descanso entre séries...
08 February 2010
(estar a conseguir ouvir Rammstein sem ficar com os cabelos em pé, é mau sinal... E a semana que se me tinha começado tão bem...Tenho de ir fazer outro SPA antes de ir para casa. Ou simplesmente deixar-me inundar com os beijos babados e elogios e sorrisos maravilhosos do meu filho. Na dúvida de alguma coisa, a minha criança consegue sempre afastar qualquer nuvem negra do meu céu).
(e estava um dia de sol tão lindo hoje de manhã.... agora, quem o viu e quem o vê: chove desalmadamente!)
Deve ser adorável viver no mesmo mundo que aquelas pessoas que se espantam quando se diz que ainda há machismo, que há homens que maltratam as mulheres, que se houvesse muito mais homens do que mulheres terámos um belo sarilho, que a igualdade entre sexos no mundo ocidental é apenas uma miragem muito bem disfarçada, que há por aí muita gente estúpida que não diz "bom-dia" ou "obrigada", que não cede o lugar a uma grávida, que parece não ter qualquer utilidade nem sequer para si próprio. Ter a noção da existência de uma certa realidade menos cor-de-rosa não faz de uma pessoa alguém meramente pessimista. Por isso, seria fabuloso viver nesse mundo e nunca ter sentido na própria pele (e visto na pele dos outros) certas injustiças que apagam o cor-de-rosa do mundo compostinho e perfeito. Viva o optimismo, desde que seguido com consciência e realidade e não se resuma a uma máxima retirada à pressa do "Segredo". Se se tirar o pé do chão começa-se a perder a noção, e é por esse motivo que tanta gente cai sem rede a proteger, crentes a renegar Deus assim que são postos à prova, optimistas de superfície a tornar-se pessimistas profundos porque um dia o sol não brilhou como o seu ego (que tudo pode contra o Universo) tinha ditado.
Nigeria - Nneka - Heartbeat
O meu filho ouve esta música e, logo aos primeiros acordes, sorri.
- Gostas? - pergunto-lhe.
- Sim. Mas a senhora não sabe cantar!
05 February 2010

Mr. James Cameron.
Vi-o ontem a ser entrevistado no show do Jay Leno (um dos meus apresentadores preferidos). Ainda não conhecia o homem por detrás do Titanic e Avatar e afins. Rendi-me ao seu encanto: cabelos finos e brancos, voz suave e serena, inteligente, inteligente, inteligente... Por favor, não me estoire nenhum escândalo de pedofilia ou outro crime qualquer que o envolva, que eu tenho direito a sonhar! Já bem basta ouvir a melodia tai-chi do Oliver Shanti sem conseguir ignorar que esta obra-prima foi produzida por um criminoso sexual (segundo se diz). Não há bela sem senão...
Para a sua história de amor está a ser difícil escrever um capítulo só com flores e corações. Volta não volta, do entusiasmo ao frio é um instante. Agora, está na fase do frio. Recomendo-lhe que se alinde para disfarçar, ao que me responde que, contrariamente ao que é habitual, não lhe tem faltado uma corzinha nos lábios e um brilhozinho nos olhos. Juntas, concluímos que o alindar por fora é o reflexo visível da tentativa de nos alindarmos por dentro. E agora, quando a vejo linda, eu sei que por dentro também está assim. E fico feliz.
Hoje vesti uma roupa que adoro: saia preta Ana Sousa com camisola azulão Lanidor. E in between um cintinho preto para marcar a cintura, como diz o Tim. Mas quando me olho ao espelho de lado, eleva-se um monte (para não dizer montanha!) na zona da barriga. Nem o cintinho de verniz a disfarça. E sinto-me um desenho animado, daqueles muito gordos, sem estômago mas com uma pancinha muito redonda. O que vale é que eu gosto de desenhos animados...
04 February 2010
Numa loja de decoração, num shopping qualquer.
Não fui eu que presenciei, mas sei que é verdade.
Entram duas moças pretas, uma delas com um saco da Adidas na mão.
Uma branca, nos seus 40/50 anos, muito maquillada e aprumada acerca-se das moças e pergunta:
- Olhe, desculpe, não me vai levar a mal, mas esse saco que aí leva não foi roubado? É que eu perdi o meu...
Sorte da "tia" que as moças não eram de rodar a baiana ou teria havido, no mínimo, sangue e uns bons puxões de cabelos. E seria bem merecido!
Nada mais oportuno do que repetir um programa do Júlio Isidro no qual a tia Rosinha foi homenageada. Isto passou ontem na RTP1, o dia do seu falecimento.
Entre jogadas de Mah Jong, ia espreitando o programa. Reparei que gosto muito do Júlio a falar, acho que se expressa com imensa naturalidade, não se engasga, e se lê pelo teleponto disfarça muito melhor que as meninas do Fama Show (arrgh, que vómito!). E depois a Rosinha, como fiquei a saber que a chamavam. Doce, delicada, serena, como sempre a vi, até mesmo nos papéis cómicos (fazia muito bem de parvinha e de ingénua). Pensei no que sentirá uma pessoa a ser homenageada, a ter tanta gente a elogiar o trabalho e a pessoa, a ver o desfile dos seus feitos. Eu gostava de saber o que é isso. Contudo, não deixei de me sentir perturbada, agora que a senhora faleceu, com este tipo de homenagem. Ali estava ela, viva, mas parecia (como, aliás, parece sempre!) que a tratavam como "morta". Não gosto do formato das homenagens, cheio de ass-kissing, ego-feeder e musiquinhas melosas enquanto passam imagens sobre as várias idades do homenageado. Para mim, isso ficava para o depois. Como ontem. Aquele programa deveria ter sido em directo ontem e não quando o foi, tendo ali a pessoa presente mas parecendo-me estranhamente "morta". Ou isso, ou eu sou um irreparável bicho do mato que adora ser amado mas com discrição. Ainda sou daquelas pessoas que acredita que a maior homenagem que se faz a alguém é ler os seus livros, ver os seus filmes, ouvir a sua música, ser seu amigo, crescer com essas "mensagens". Dessa forma, a arte (de que o artista é apenas o seu veículo) terá cumprido o seu propósito de existência.
Tenho um vestido que me enche de vaidade de cada vez que o uso. Foi comprado pouco depois do Natal, com o cheque-prenda com que fui agraciada. Era caríssimo, estava em saldos, só assim o poderia ter alguma vez na vida! É lindo, assenta-me bem e é tão quentinho e macio... Tem sido muito, muito cobiçado.
Ontem, usei-o. Como é habitual, senti-me linda todo o dia. Ao final do dia, fui buscar o meu filhote à escola. Assim que entro na salinha, um dos seus coleguinhas olha-me com uns olhos grandes e curiosos e exclama:
- O teu vestido parece um avental!
Encantadíssima com o comentário, ainda lhe respondi:
- Achas? Mas é um avental lindo, não é?
E assim um vestido tão fashion se reduz a um avental num abrir e fechar de olhos.
03 February 2010
(diz-me a experiência recente que água engarrafada em recipiente de plástico e com prazo de validade de 2008, em 2010 não sabe lá muito bem...)
Desde a Vila Faia que me lembro dela. Em tantas coisas: novelas, músicas, programas de humor, livros...
Dela recordo o sotaque de "tia" e os gestos muito gentis, muito femininos, e um sorriso sempre tão doce.
Não foi pessoa que, apesar de tudo, tivesse acompanhado em particular, mas é uma das personagens mais distintas do percurso da minha vida. Agora, foi-se. Mais uma que se foi. Estou a ficar velha, não há dúvidas.
RIP.
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